Simpósio Temático

1. Arte, Percepções Estéticas e De(s)colonialidades

Coordenadores (as):
Oiti Pataxó (Comunidade Indígena Reserva da Jaqueira/UFSB).
Prof. Márcio Junqueira (UNEB).
Sumário Santana (Ativista cultural e Diretor do espaço cultural do Viola de Bolso).

A arte em suas diversas maneiras de conectar os seres humanos, seja por meio do fazer artístico, do apreciar, do conviver, dentre outras formas, apresenta-se como mais uma lente para enxergar o mundo. Para além do ver literal, um enxergar artístico, um ouvir artístico, um sentir artístico, um movimentar artístico, um viver artístico. Considerando que sempre ouvimos de algum lugar, olhamos a partir de algum lugar, nos movimentamos em e ou para algum lugar, bem como sentimos e fazemos arte a partir de um lugar muito particular, nos instiga a pensar de onde, para onde e como construímos e usamos nossas lentes artísticas para enxergar o mundo. Pensar as artes e suas significações enquanto um caminho para descolonizar os saberes é fomentar a discussão do diverso. Seja musical, plástica, audiovisual, literária, narrativas orais e escritas, grafismo ou de qualquer outro segmento, a arte nos possibilita experiências, reflexões e expectativas de descolonização do sensorial e das sensibilidades. Nesse sentido, as expressões originárias, ancestrais, diaspóricas e interculturais das artes ou de práticas análogas a ela promovem uma estética da descolonialidade, no sentido de pensar a partir do historicamente subalternizado, de dialogar com a modernidade imposta e fazer um giro descolonial propondo alternativas não hegemônicas e localizadas para o viver artístico.Neste simpósio serão acolhidos trabalhos que abordam as mais diversas expressões artísticas, representações estéticas e culturas análogas, visando a descolonização dos sentidos, bem como a visibilização dos sujeitos historicamente subalternizados.

2. Corpo, Gênero e Sexualidade: Perspectivas De(s)coloniais e Re(e)xistências

Coordenadores (as):
Prof. Alexandre de Oliveira Fernandes (IFBA).
Aline Ngrenhtabare L. Kayapó (Coletiva Terra, GRUMIN, UNESULBAHIA).
Profa. Delliana Ribeiro.
Niotxarú Pataxó.

As reflexões sobre corpo, sexualidade e identidade no mundo ocidental foram marcadas pela emergência das ciências modernas, as quais desconsideraram ou ocultaram outros modos de ser, outras formas de viver e de experimentar o corpo, a sexualidade, o desejo, promovendo socialmente, a partir de concepções eurocêntricas, saberes, práticas e identidades hegemônicas e, portanto, excludentes. Esse discurso de poder normatizou, regulou e instaurou saberes supostamente universais que mobilizaram uma política de identidade e de subalternização.

Discutir corpo, gênero e sexualidade na perspectiva de(s)colonial tem por objetivo desvelar a multiplicidade das experiências sob o julgo colonial, mas também anterior a ele. Nossa pretensão é, pois, abordar os comportamentos e as performances identitárias numa perspectiva multifacetada, interseccional, em cujas experiências se justapõem subalternização e resistência. Logo, os trabalhos acolhidos neste simpósio temático devem propor reflexões e/ou práticas políticas, acadêmicas e existenciais sobre as diversidades/diferenças de corpos – o corpo negro, indígena, transviad@s –, e identidades de gênero, bem como os debates promovidos pelo empoderamento da mulher indígena, pelo feminismo negro e interseccional no que diz respeito às diferenças, à diversidade e as re(e)xistências.

3. Pensamento De(s)colonial, Afrocentricidade e Racismo Epistêmico

Coordenadores (as):
Prof. Edson Kayapó (IFBA).
Prof. Gabriel Nascimento (UFSB).
Prof. Lincoln Cunha (IFBA).
Prof. Luan Sodré (UEFS).

Admitir e conhecer sistemas de pensamento não-eurocentrados requer discutir e desenvolver estudos acerca do racismo epistêmico ou epistemicídio, uma das dimensões mais perniciosas da discriminação étnico-racial, na medida em que recusa o reconhecimento de que outras formas de e de produção do conhecimento são válidas. Os estudos de(s)coloniais pretendem a desnaturalização do conhecimento tido por universal, reconhecendo que o processo de construção dos saberes e das ciências no Ocidente se deu a partir de um discurso de poder do homem branco pretensamente. Conhecer a história, a filosofia e os saberes de África, de sua diáspora e dos povos ameríndios é parte do processo de responder à desvalorização e/ou ocultamento da condição de sujeitos do conhecimento.

Nesse simpósio, serão acolhidos os debates acerca da filosofia e da história dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas, concebidos numa perspectiva pluriepistemológica - seja da afrocentricidade quanto o perspectivismo ameríndio -, do combate ao racismo epistêmico, à discriminação étnico-racial e do reconhecimento e validação dos saberes não-ocidentais.

4. Educação e Interculturalidade

Coordenadores (as):
Prof. Aldineto Miranda (IFBA).
Profa. Juciene Silva de S. Nascimento (UNEB).
Profa. Mariana Fenandes (IFBA).
Profa. Raimunda Pataxó (Coordenadora da Educação Escolar Indígena - Santa Cruz Cabrália/UFSB).

O caráter multicultural de nossa sociedade tem possibilitado que diferentes grupos socioculturais reivindiquem e conquistem maior presença e visibilidade nos cenários públicos, o que torna imperativa a discussão sobre Educação e Interculturalidade.

Na medida em que a interculturalidade orienta processos que têm por base o reconhecimento da diferença e o direito a ser diferente, a luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade social busca promover relações dialógicas, horizontais e igualitárias entre pessoas e grupos que pertencem a universos culturais diferentes. Os novos lugares e sujeitos desconfiam das identidades que um “Eu” impôs a “Eles”, os “Outros”, por meio de práticas e narrativas construídas por relações de saber/poder que instituíram verdades.

Este Simpósio Temático pretende reunir pesquisas e experiências que tematizem a educação para o respeito às diferenças em espaços formais e não formais de educação; estratégias, conflitos, experiências exitosas, bem como reflexões epistemológicas multirreferenciadas sobre escola, escolarização, pedagogia e currículo e debates sobre evasão e “fracasso escolar”. Pretende-se acolher trabalhos que tragam reflexões sobre uma “pedagogia do conflito”, uma “pedagogia decolonial” e/ou uma “pedagogia da ancestralidade”, atentas aos saberes não-hegemônicos que, muitas vezes, são aprendidos com os que vieram primeiro, em suas dimensões social, política, econômica, cultural e ecológica.